Parabéns Portugal!
Conseguiste algo inédito, voltar a ser o país mais pobre da União Europeia é algo que merece um especial destaque.
Estamos pois, todos nós portugueses, principalmente o Governo por tudo o têm feito para chegar a esse objectivo, de parabéns...
Vou aqui iniciar uma espécie de contador inédito, um género de calendário para nos situarmos bem no tempo.
Sinto que irá durar apenas até 2006, mas quem sabe...
Em vez dos "Faltam precisamente x dias, y horas, etc etc" que vemos para o Euro2004, iremos ter:
"Passaram precisamente 5 dias, 5 horas, 38 minutos e 7 segundos desde que Durão Barroso foi vaiado na inauguração do Estádio da Luz"
Tentarei fazer a melhor actualização possível...
Durante esta fase acalorada, em termos de debate público, sobre os infortúnios que "desabaram" sobre o nosso país, questiono-me sempre sobre o papel do Presidente da República.
Será que tem feito o que devia, o suficiente, o necessário? Não será que está a limitar um pouco aquele que deve ser o papel de um chefe de Estado? Ou será que a sua actuação discreta tem servido para uma melhor clarificação e reflexão sobre todas as situações?
Eu não duvido que fazendo um discurso na abertura do ano judiciário, ao reunir em privado com o sr. Procurador Geral da República, dando um sinal claro de confiança a Souto Moura, que ao dar uma entrevista na RTP, o nosso PR esteja a contribuir significativamente para um apaziguamento da actual situção. A questão é depois dessas iniciativas e de outras continua tudo na mesma. Continuamos todos a discutir os mesmos problemas, a debater-mo-nos com o mesmo pessimismo, a angustiar-mo-nos com o futuro...
Não caberá ao PR uma actuação decisiva nessa matéria? Se obviamente que sim, o que tem sido feito terá resultado alguma coisa? A resposta é claramente não.
Independentemente de as eleições presidenciais ainda estarem bastante longe, infelizmente julgo que começa-se a concluir que Jorge Sampaio ficará para a história apenas como mais "um" Presidente, sem chama e sem a capacidade de liderar e mostrar um caminho aos portugueses.
Quase que passou despercebida mais uma Greve Geral da Função Pública, anunciada pela CGTP.
Por acaso fiquei um pouco triste quando vi as notícias sobre a manifestação (em Lisboa e no Porto) a passarem quase pó final dos telejornais. Parece cada vez mais que as manifestações e as greves não têm o impacto que deveriam, e isto tanto o é para os "trabalhadores", como para os estudantes, como para qualquer outra coisa. Será que se banalizaram, não será relevante na sociedade actual milhares de pessoas manifestarem o seu descontentamento, terá um Governo de menosprezar estas tomadas de posição de uma parte significativa da população pelo bem comum e universal? Sinceramente não sei, mas o tempo há-de dizer...
Ao mesmo tempo que os funcionários públicos ontem se manifestavam , estava a ser aprovada no Parlamento uma pseudo-reforma da administração pública a que ninguém ligou. Pudera...
Perante as previsões da Comissão Europeia para 2003/2004/2005, no toca à economia portuguesa, a única coisa que se pode dizer é que mais uma vez este Governo não está a dar conta do recado...
Vejamos os parâmetros de desemprego e défice orçamental (a vaca sagrada...):
Desemprego
2003 - 6,6%
2004 - 7,2%
2005 - 7,3%
Défice
2003 - 2,9%
2004 - 3,3%
2005 - 3,9%
Ora, é triste observar que nos próximos dois anos, ou seja praticamente o final da legislatura, tudo o que este Governo tentou fazer para melhorar a situação económica do país não irá dar resultado.
Nem irei aos números do desemprego. Se este Governo afirma que para retomarmos um crescimento económico "normal" é necessário recuperarmos a credibilidade do país, em termos de finanças, e conter o défice orçamental, sendo isso a chave para tudo o resto então falhou completamente os seus objectivos. A previsão do défice para 2005 é de facto admirável...
Se eu fosse o Carrilho, no comentário semanal na SIC, estaria a afirmar neste momento "Inaceitável".
Onde é que estão as reformas estruturantes? Os verdadeiros impulsos na economia? Será que ainda serve de desculpa os Governos anteriores ou o facto de a Agência Portuguesa para o Investimento ter sido criada à pouco tempo (já não é tão pouco como isso...)?
Basta observarmos o que se passa na Alemanha em que o sr. Shroeder está prestes a aprovar uma reforma que irá transformar de alto baixo todo o sistema económico-social do seu país. E foi eleito depois do nosso Governo...
Mas enfim... voltarei a este assunto mais tarde.